domingo, 9 de agosto de 2009

Árabes

A minha ideia era que esta mudança de local de trabalho me trouxesse a nível pessoal um maior entendimento sobre outras culturas. Mas os Árabes são muito fechados. No entanto já conheci uns 3 Árabes com quem estive a conversar e deu para perceber que uma vez que se ganha a confiança deles se pode ter conversas muito interessantes.

O primeiro Árabe com quem tive contacto foi um senhor à volta dos 50 que trabalha para o ministério das finanças aqui deste pais tão pobre J Começamos a falar porque estava a dar um jogo da selecção espanhola. E quem diz que o futebol não liga os povos hein?

Ficamos na conversa e para minha tristeza também ele não gostava da Arábia (é complicado estar num pais que nem o próprio povo gosta…), que povo estranho este, para este senhor o pais dele era só e apenas para vir trabalhar e passar as ferias na Europa ou noutro sitio qualquer, os olhos dele como brilhavam a falar das pequenas aldeias no sul de França com os seus vinhos e os seus queijos!

Este senhor é daquelas pessoas de famílias com bastante dinheiro que já na altura dele de estudante podiam dar uma boa educação e mandar o filho para a Europa, ele começou a ir para a Europa desde os 16 anos, decidiu ir para Inglaterra, por causa do futebol J na altura o Everton era muito forte (segundo ele) por volta de 79 ou 80 e ele decidiu ir aprender Inglês no país onde tinha nascido o futebol. Entretanto viaja pela Europa fora e vem para o seu próprio país para ganhar dinheiro. Diz que é um país para andar… devo ter feito uma cara de quem não esta a perceber e ele lá explicou que andar significava que era para vir trabalhar juntar dinheiro e ir para fora gasta-lo.

Estive a tentar perceber um pouco mais da cultura local e cheguei a conclusão que se tinha perdido ao longo dos tempos, os Sauditas desde que se descobriu o petróleo tem tanto dinheiro que são pagos para estarem parados, se não tiverem um emprego acima da média mais vale não trabalhar. Nos pequenos empregos esses nem se vem sauditas, vêem-se indianos, paquistaneses, pessoas do Yemen, Africanos… tudo menos sauditas, então deixou de haver artesãos e passou-se a importar tudo, as pequenas heranças culturais foram-se perdendo, mantendo esta cultura unida apenas e só pela religião. Que tem as coisas boas que todas as religiões tem mas o problema é quando se une a religião com a falta de educação e se levam as coisas ao extremismo, aqui as pessoas não são ensinadas a por nada em causa se alguém diz que tem de se fazer assim eles fazem e não questionam.

Eu que digo que as touradas em Portugal são bárbaras. Aqui só o facto de existirem execuções públicas de enforcamento, decapitações e apedrejamento dá-me um arrepio na espinha. Não consigo compreender como é possível que passado tantos anos de civilização. Ainda se tenham comportamentos tão bárbaros.
Conheci um outro Saudita numa festa de Jaz na casa do embaixador Francês, este veio ter connosco porque estava a pensar em ir à Europa antes de entrar para a Universidade e queria ir para Amesterdão… bem só a ideia de ver um Saudita em Amesterdão… J então a ideia dele era saber se conhecíamos alguma coffee shop boa para ele ir em Amesterdão. Está-se mesmo a ver qual foi o tema de conversa o resto da noite, fomos descobrindo coisas da forma de agir desta nova geração que tanto contradiz a religião e os hábitos diários desta gente, quanto tempo mais isto vai demorar a mudar?

Agora tenho aproveitado o facto de ter cá um Saudita e tenho falado com ele algumas vezes e tentado ganhar a confiança deste para ver se descubro mais coisas desta cultura tão diferente, uma cultura que as vezes parece inexistente e no entanto está tão presente.

Nenhum comentário: